© Arquivo/REUTERS/Rafael Marchante
A ex-presidente Dilma Rousseff, que foi presa e torturada pela ditadura de 1964, falou sobre o período, que completa 55 anos neste domingo (31). A petista descreveu o golpe militar como uma "ferida aberta na história do país" e disse ver "tempos sombrios" no chamado do presidente Jair Bolsonaro para comemorar a data.
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"Não há nada a comemorar neste dia. Só rezar pelos mortos e manter a certeza de que resistiremos ao autoritarismo para construir uma nação sem ódios, mágoas e perseguições", disse Dilma em mensagem publicada pela coluna 'Painel', da 'Folha de S. Paulo'. "Os elogios descarados do presidente ao golpe mostram que estamos distantes da pacificação", lamentou.
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"São tempos que evocam prisão, tortura, morte e exílio. (…) É duro ver que após a incansável luta pela democracia, pagamos com dor e sacrifício para assistir agora uma comemoração do golpe forjada pelo chefe de Estado", criticou a ex-presidente.
Todos sabemos que brasileiros e brasileiras foram assassinados e estão 'desaparecidos' até hoje. Amigos e familiares guardam a dor da ausência de filhos e pais. Na Comissão da Verdade, eu disse que a ignorância sobre a história não pacifica. Ao contrário. A desinformação apenas facilita o trânsito da intolerância."
Dilma foi presa quando tinha apenas 22 anos, acusada de integrar organização de luta armada contra o regime. Ela ficou na cadeia por três anos e conta ter sido duramente torturada pelos militares.